Nutrir nas Escolas Atividade física: muito além das aulas de Educação Física

Neste ano, o Nutrir nas Escolas traz em seu material didático e formações uma nova abordagem sobre educação para a prática de atividade física. A base dessa abordagem são os conceitos de cultura corporal – conjunto de práticas e significações que expressamos por meio da linguagem corporal (em jogos, brincadeiras, esportes, danças...) – e corporeidade – a ideia de que todos os processos do nosso corpo (mentais, físicos, de interação com o mundo) são integrados e impactam uns aos outros. O intuito é que os conceitos sejam discutidos na escola como um todo para que os alunos se apropriem e tornem a atividade física um hábito.

Para explorar esse tema, o Nutrir conta com uma nova formadora, a professora e pesquisadora Isabel Filgueiras. Isabel é licenciada em Educação Física e mestre e doutora em Educação pela Universidade de São Paulo (USP). Ela explica que, para que as pessoas incorporem a atividade física em sua rotina, é preciso que a atividade seja inserida em um contexto que tenha um significado para elas. “O mais importante não é só o indivíduo praticar, é ter consciência do quanto isso afeta a vida dele e ter uma relação afetiva com isso”, afirma.

Alguns valores dão um caminho para pensar em ações nas escolas que estabeleçam uma conexão entre os estudantes e a prática de atividades físicas: prazer, diversidade, equidade, valorização das tradições locais, integralidade e saúde. “Todos eles se voltam para a questão de criar um significado para a prática, muito além de praticar por praticar”, diz Isabel. A professora lembra que muitos adultos têm recordações ruins das aulas de Educação Física que eram voltadas apenas para esportes porque não tinham habilidade ou não se identificavam. “É preciso oferecer práticas diversificadas e ficar atento àquilo que é do interesse das crianças”, recomenda. Atividades prazerosas ajudam a fazer com que as crianças sejam ativas no presente e se tornem adultos ativos também.

E quem pensa que questões relacionadas ao movimento e ao corpo são de responsabilidade apenas do professor de Educação Física está enganado! Todo mundo na escola pode, e deve, se envolver e propor ações – desde inserir o movimento nas atividades escolares até reorganizar o ambiente da sala de aula para que os alunos não fiquem sempre parados na mesma posição. Um exemplo dado por Isabel é trabalhar textos de cantigas por meio de brincadeiras com crianças da Educação Infantil. “Favorece uma construção mais significativa do processo de alfabetização porque está inserida no contexto das crianças”, afirma. “As crianças aprendem melhor aquilo que faz sentido para elas.”

Isabel salienta que os educadores podem levar esses conceitos para suas próprias vidas. “É muito importante, quando a gente vai pensar na prática de atividade física, que os próprios educadores pensem em sua corporeidade, em como eles conseguem ganhar qualidade de vida. Pensar no próprio corpo ajuda a enxergar melhor essa questão nos estudantes.”

 

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