Nutrir nas Escolas Escola cria projeto de educação alimentar com o Nutrir

O Nutrir nas Escolas contribuiu para uma grande mudança na EMEF Padre Serafin Martinez, de São Paulo (SP): a criação de um projeto de educação alimentar e nutricional que envolvesse a escola toda. Este já era o intuito da direção, mas, por falta de tempo, a equipe ainda não tinha parado para pensar em ações educacionais e soluções para problemas como o desperdício de alimentos no refeitório. O Nutrir foi o incentivo para que a equipe se juntasse e buscasse alternativas.

“A escola não tinha um projeto mais amplo de educação alimentar e nutricional. Um ou outro professor fazia algum projeto sobre o tema, mas não tinha nada efetivo”, explica a diretora Edinete Aparecida da Silva. “Quando fizemos a formação do Nutrir, começamos a refletir sobre os problemas. Conseguimos parar e pensar em soluções, elaborar um projeto.”

Construir um projeto para a escola foi o primeiro passo de Edinete para realizar o desafio Conseguir parceiros, voltado aos gestores. Com o apoio de sua assistente, Andréia Cavalcante, e da auxiliar técnica de educação (ATE) Maria Elisete Carvalho, a diretora reuniu professores e colaboradores da escola para que todos dessem sugestões de iniciativas que contribuíssem para melhorar os hábitos alimentares e de saúde dos estudantes. A partir de então, uma série de atividades começaram a ser realizadas na escola.

Em uma delas, os pais foram convidados a assistir ao documentário “Muito além do peso” na escola e discutir a importância de praticar uma alimentação saudável. A escola realizou um piquenique no Parque Ibirapuera em que só eram permitidos alimentos e bebidas saudáveis. A professora de educação física colocou todas as crianças para se movimentar em um campeonato de corrida e circuitos de atividades entre as turmas. Outra sugestão realizada pelas professoras foi programar o celular para tocar uma música a cada meia hora, sinalizando que os alunos deveriam beber água. Mesmo após o fim da brincadeira, que durou duas semanas, tanto crianças quanto professores mantiveram o hábito de beber mais água.

No desafio Olhando melhor!, a diretora notou que os dias em que havia peixe, ovos e legumes no cardápio eram os dias de maior desperdício. Além disso, o espaço do refeitório não era muito atrativo, e quem terminava de comer continuava nas mesas brincando, o que distraía os colegas que ainda não tinham terminado. A primeira mudança foi sugerida pela equipe de cozinheiras: uma variação nas receitas com os ingredientes que os alunos gostavam menos. Agora o cardápio conta com opções como ovo ao vinagrete e peixe com requeijão. “O visual ficou bonito, o prato ficou mais colorido e os alunos gostaram”, diz a diretora.

As mesas foram separadas, melhor dispostas no refeitório e ganharam toalhas. A escola adquiriu mais mesas e cadeiras e consertou as que estavam danificadas. O refeitório foi decorado com vasos de plantas e ficou destinado somente aos alunos que estão fazendo sua refeição – quem termina de comer vai para outro espaço para brincar. E ainda há mais mudanças que devem acontecer no próximo ano. “Quero colocar algumas divisórias com vasos de flores entre as mesas, para ficar parecido com uma praça de alimentação”, conta Edinete.

Todas essas iniciativas geraram resultados. O desperdício de alimentos foi reduzido, os estudantes passaram a valorizar as refeições da escola e até os pais relataram mudanças de hábitos em casa, principalmente devido às cobranças dos filhos. “Uma mãe comentou que uma garrafa de óleo durava 15 dias em sua casa, o que mostra o quanto de fritura ela consumia”, diz a diretora. Agora que a escola tem seu próprio projeto de educação alimentar e nutricional, construído em conjunto por toda a equipe, a intenção é que essas atividades se estendam para os próximos anos.