Nutrir nas Escolas Hábitos saudáveis na escola e para toda a família

Existe alguma receita que se tornou tradicional em sua família, daquelas que todo mundo lembra com carinho por um motivo especial? A professora Patrícia Assis propôs que os alunos da EM Américo Renê Giannetti, de Belo Horizonte-MG, conversassem com seus familiares para responder essa pergunta. A ideia era elaborar um livro com receitas que fazem parte da história das famílias da turma. Cada aluno levou o livro para casa e registrou uma receita junto com os familiares, dizendo por que a receita faz parte da história da família. Todas as crianças apresentaram suas receitas, e algumas foram escolhidas para que elas preparassem na escola.

“Considerei importante por inserir a família no desenvolvimento do projeto e, principalmente, porque o alimento será tomado como prática cultural, resgatando histórias, recordações, sabores etc.”, relatou a professora. Assim como Patrícia, muitos outros educadores que participaram do Nutrir já criaram desafios que incluem a participação das famílias. Inclusive, a trilha das nutricionistas de São Paulo-SP e Guarulhos-SP tem um desafio chamado Tem visita para a merenda! em que os familiares são convidados a visitar a escola e conhecer o funcionamento da cozinha e o preparo da merenda (confira alguns relatos em Boas Práticas).

É que o envolvimento da família nas atividades de educação alimentar e nutricional e prática de atividades físicas é muito importante para que crianças e adolescentes adquiram hábitos saudáveis. Afinal, esses hábitos não devem ficar restritos ao ambiente da escola, mas sim ser levados para o dia a dia dos alunos. E não há melhor maneira de fazer isso do que também conscientizar pais e familiares.

Em São Paulo-SP, a professora de educação física Karina da Paz Pimenta Xavier convidou alunos de toda a EMEF Professor Francisco da Silveira Bueno e seus familiares para praticar ioga no evento do Dia da Paz, uma atividade acessível para todas as idades. “Propus práticas simples de iniciação, com exercícios de mentalização, respiração, ássanas (os exercícios físicos propriamente ditos) e um relaxamento”, contou. A ideia foi um sucesso, com participação de pais, mães, avôs, avós e crianças – e não parou por aí! Agora, há aulas de ioga em todos os eventos da escola abertos aos familiares. Karina também espera poder abrir turmas fixas para alunos e familiares continuarem praticando.

Preparar alimentos juntos, escolher alimentos mais saudáveis, praticar atividades físicas... Quando essas e outras ações se tornam parte da rotina da família, fica mais fácil para as crianças aceitá-las com naturalidade. O Guia Alimentar da População Brasileira recomenda compartilhar refeições com familiares e amigos sempre que possível. “Para as crianças e adolescentes, são excelentes oportunidades para que adquiram bons hábitos e valorizem a importância de refeições regulares e feitas em ambientes apropriados.” O envolvimento dos filhos na compra de alimentos e preparo de refeições também é recomendado pelo Guia, por permitir que eles conheçam novos alimentos, suas origens e formas de preparo.

A professora Ana Paula Araujo de Oliveira fez uma pesquisa muito interessante com os alunos da EPG Evanira Vieira Romão, de Guarulhos-SP. Ela descobriu que, dentre 35 crianças da sua turma, apenas oito faziam refeições com a família na mesa, com a televisão desligada; 16 faziam refeições em família com a TV ligada; e 15 comiam na sala ou em outro cômodo assistindo à TV. Ana Paula propôs às crianças que convidassem seus familiares para fazer refeições juntos à mesa, sem o uso de TV ou celular. Também foram realizadas várias atividades em sala de aula para que os alunos tivessem mais argumentos para convencer a família. Como resultado, 90% das famílias da turma aceitaram o convite. “Das 15 crianças que não comiam à mesa com seus familiares, houve 12 famílias que aderiram ao desafio e o incorporaram em suas rotinas.”

 

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