Nutrir nas Escolas Hortas escolares: espaços de cultivo e educação

Implementar uma horta na escola exige estudo e conhecimento do ambiente. Mas os benefícios são muitos! A bióloga Flávia Cremonesi, uma das formadoras do Nutrir nas Escolas, explica que um projeto de horta escolar envolve tanto a educação alimentar e nutricional quanto a educação ambiental.

Na educação alimentar e nutricional, duas frentes podem ser trabalhadas com as crianças. Uma é a experimental, ou seja, conhecer as sementes, os caules, as folhas, as frutas e experimentar outros alimentos. “O público infantojuvenil não costuma associar o alimento que come com a planta e de onde ela vem. Conhecer do que é feito o alimento, entender a estrutura do solo e o desenvolvimento da planta é compreender a alimentação no sentido mais profundo”, afirma a bióloga.

A outra frente é relacionada com o desenvolvimento de uma consciência crítica e política. “Desde que começamos a interferir no meio ambiente, o ambiente tem respondido às nossas ações no mundo”, diz Flávia. Os professores podem conversar com os alunos sobre como essas ações são refletidas no cultivo dos alimentos, como o uso de venenos nas plantações.

Também há diversas possibilidades de atividades de educação ambiental com a horta. Estudar os elementos essenciais da natureza, por exemplo, é fundamental antes de construir um espaço de cultivo. Isso significa entender a rota do Sol, quais espaços ele ilumina, se essas condições se mantêm em todas as estações do ano, qual é o volume de água da chuva que pode ser captado na escola, como captá-la e direcioná-la para a horta, saber a direção do vento e como equilibrá-lo para não prejudicar a plantação... “Precisamos ler o ambiente antes de começar a trabalhar com ele. Assim, podemos desenhar a horta de acordo com o que o ambiente oferece”, recomenda.

É uma tarefa que leva tempo, mas ajuda muito a escola a economizar na hora de implementar a horta. “Costumo dizer que quem gasta dinheiro a mais com a horta é porque não conheceu o ambiente antes”, afirma. Isso porque a escola acaba gastando mais verba para consertar erros que poderiam ter sido previstos com um estudo anterior. Segundo Flávia, a horta não demanda muitos recursos financeiros, e sim colaboração e disposição das pessoas que trabalham na escola.

A bióloga ainda ressalta que a escola toda precisa se envolver com esse projeto, para que ele não dependa de um professor só. E se a escola for pequena? Espaço também não é um problema, já que é possível até fazer uma horta vertical com vasos e canteiros fixados na parede. “Não importa o tamanho da horta, mas os valores que serão desenvolvidos com os alunos a partir dela”, acrescenta.