Nutrir nas Escolas Mudanças de hábitos e visões na escola vencedora de São Paulo

Muita coisa mudou na EMEF Professora Sylvia Martin Pires com a participação no Nutrir nas Escolas: os hábitos alimentares dos alunos se tornaram mais saudáveis, o espaço do refeitório ficou mais agradável, as cozinheiras aprenderam novas técnicas, os gestores desenvolveram um olhar mais cuidadoso sobre a alimentação... Esses e outros resultados, obtidos a partir dos desafios propostos no Nutrir, levaram a escola a ser a vencedora do Prêmio Nutrir nas Escolas na cidade de São Paulo (SP). A vice-diretora, Sueli Rodrigues Pontes, explica que a escola inteira, da gestão aos alunos, passou a se interessar pelo assunto da alimentação e se mobilizou para colaborar com a realização dos desafios junto aos 12 educadores que publicaram seus relatos na plataforma.

Um dos destaques foi na categoria ATE (Auxiliar Técnico de Educação), com o desafio Água, tudo de bom!. Vários alunos não tinham o hábito de beber água e preferiam suco de caixinha ou refrigerante. As ATEs começaram a preparar água aromatizada com frutas para servir durante os intervalos, convidando os alunos a experimentar. Elas também conversaram sobre o papel da água no organismo e por que precisamos consumi-la com frequência. Quando as ATEs deixaram de servir a água aromatizada, muitos estudantes sentiram falta e passaram a trazer de casa suas próprias garrafinhas de água aromatizada com diferentes frutas, melhorando o consumo diário de água.

Sueli afirma que realizar os desafios foi muito importante para as ATEs, porque os alunos – e até elas mesmas – tinham a visão de que a função de um ATE é apenas de inspetor. “ATE não é só inspetor, é educador. E elas trabalharam como verdadeiras educadoras nos desafios. Os alunos passaram a olhar as ATEs de outra forma, como alguém que contribui para a educação deles”, diz a vice-diretora. “Você não imagina o quanto elas ficaram felizes com o Prêmio, se sentiram empoderadas.”

No desafio Olhando melhor!, da categoria Gestores, Sueli também contou com as ATEs, que indicaram estudantes para fazerem parte de uma pequena comissão. O objetivo era que os alunos expusessem seus pontos de vista sobre o refeitório e a comida da escola. Dentre os problemas apontados, estavam que as cozinheiras não utilizavam luvas para servir as bisnaguinhas, o excesso de comida que elas colocavam no prato das crianças e a aglomeração no refeitório na hora do almoço – é que uma das saídas da escola passava pelo refeitório, e o horário de refeição de algumas turmas coincidia com os horários de entrada e saída de outras.

A vice-diretora reuniu cozinheiras e nutricionista (elas são de uma empresa terceirizada) para conversar sobre o que precisava ser mudado, organizou palestras da nutricionista para os alunos sobre as refeições servidas na escola, direcionou a saída dos estudantes para outro portão, mudou a decoração e a delimitação da área do refeitório e estabeleceu filas para entrar no refeitório e se servir, entre outras ações. Agora as refeições acontecem de forma tranquila, os alunos conseguem comer com calma e sentados e há menos desperdício de alimentos. “Não teríamos conseguido fazer nenhuma mudança se não fosse o envolvimento das cozinheiras e da nutricionista”, afirma Sueli. “O fato dos alunos participarem também fez com que eles dessem mais valor para a alimentação escolar.”

A notícia da conquista do prêmio foi recebida durante a formatura dos estudantes do 9º ano, em que a equipe toda da escola estava presente. Foi um motivo a mais para comemorar! “Fazer parte do Nutrir trouxe uma importância para a alimentação na escola, para ver o que a gente podia proporcionar de melhor”, conclui Sueli.