Nutrir nas Escolas Um desafio para aproximar alunos e cozinheiras

Um dos tópicos que a formadora Lilian Faversani aborda nos encontros com os professores do Nutrir nas Escolas é que a nossa relação com os alimentos não envolve só a nutrição, mas também prazer, autonomia, sustentabilidade e outros valores simbólicos. Essa fala marcou bastante a professora de inglês Aline Bauer, da EMEF Dona Chiquinha Rodrigues (São Paulo-SP). Ela já tinha observado que a relação entre as crianças e as cozinheiras na hora do almoço era muito distante e, pensando no conceito apresentado por Lilian, elaborou uma atividade no desafio Quem escolhe é você para mudar isso.

A professora conta que seus alunos do 1º e 2º anos não percebiam o quão importante é o papel das cozinheiras no cotidiano da escola – nem mesmo sabiam os nomes delas! “As cozinheiras têm que seguir várias normas, têm uma rotina bem puxada. Isso tudo não era levado em consideração pelas crianças”, diz Aline. A proposta do desafio foi que os estudantes criassem uma lista de perguntas para entrevistar as cozinheiras e conhecê-las melhor. E eles logo abraçaram a ideia!

Depois de uma conversa sobre as refeições escolares, Aline pediu para que as crianças sugerissem perguntas, pensando no que consideram importante saber sobre uma pessoa. A curiosidade veio e elas quiseram saber de muita coisa, como qual o prato que preparam que recebe mais elogios, o que elas vão fazer nas próximas férias e quem sabe fazer o melhor brigadeiro. O próximo passo foi realizar a entrevista, e as cozinheiras Ivone, Marrom e Lela se divertiram com a criatividade dos alunos! Em seguida, as respostas foram discutidas em sala de aula.

O desafio, segundo a professora, fez com que a relação entre as crianças e as cozinheiras ficasse mais afetuosa. Os alunos já as chamam pelo nome e elas os cumprimentam de volta com um grande sorriso. Um dos estudantes inclusive lembrou da data de aniversário de uma delas e perguntou à professora se podia cantar parabéns! “Essa relação, sendo bem estabelecida, passa também para a comida, porque elas começam a ver esse momento do almoço, da alimentação, como algo mais humanizado, mais prazeroso, até com mais sentido para elas”, afirma Aline.

Conexões com as aulas de inglês

Por ser professora de inglês, Aline também teve a preocupação de incluir o estudo do idioma nos desafios do Nutrir. Ela optou por trabalhar com o vocabulário nos três desafios que realizou: traduzindo algumas expressões do questionário para as cozinheiras e explorando palavras em inglês relacionadas a movimento e horta. “Tenho um planejamento anual, e em nenhum momento eu tive que deixar de lado a minha matéria para fazer os desafios. Foi uma coisa muito natural, integrada com o que eu já estava fazendo”, explica.

 

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