Nutrir nas Escolas Valores simbólicos que fazem parte da alimentação

Todos nós temos preferências diferentes quanto se trata de comida. As experiências de vida de cada pessoa dão aos alimentos outros significados além da nutrição: eles podem ser relacionados a momentos bons ou ruins, a lembranças da infância e até mesmo a aspectos culturais. Esses são os valores simbólicos dos alimentos, e ter consciência deles pode mudar nossa forma de compreender a alimentação.

Os valores simbólicos são individuais, mas também podem ser construídos e modificados por grupos culturais. Lilian Faversani, pedagoga e uma das formadoras do Nutrir nas Escolas, usa como exemplo o café da manhã. “Temos a convicção de que determinados alimentos devem ser comidos pela manhã, logo quando acordamos, e outros só na hora do almoço ou do jantar. Isso também varia enormemente em uma cultura ou outra”, explica.

Esses valores estão sempre presentes em nossa alimentação, e com as crianças não é diferente. Quantas vezes já não ouvimos os pequenos dizerem que não gostam de uma comida sem nunca terem experimentado antes? Até mesmo os adultos fazem isso, não é mesmo? Como as crianças ainda estão conhecendo e adquirindo hábitos culturais, os educadores podem ajudá-las a formar esses valores.

“Professores que saibam desse escopo simbólico das práticas alimentares de quase todas as culturas do planeta poderiam, por exemplo, escolher ativa e conscientemente que valores desejamos preservar em nossa cultura e quais deles não nos importaríamos se fossem esquecidos”, diz Lilian. A própria preocupação em escolher alimentos nutritivos e saudáveis é um valor simbólico.

Além disso, outros valores podem ser discutidos com os alunos, como o prazer em comer certos alimentos e a relação da comida com as diferentes culturas. Os desafios do Nutrir contribuem com essa discussão. “Todos os desafios do Nutrir levam em conta os valores simbólicos, em especial as relações que existem entre alimentar-se e conhecer o mundo e alimentação e prazer, ambas decisivas para a formação das crianças e para uma educação gustativa em qualquer caso”, afirma a pedagoga.

Lilian destaca como um de seus preferidos o desafio “Histórias saborosas”, destinado aos professores da Educação Infantil e do Ensino Fundamental com alunos entre 6 e 8 anos. “Os desafios que pedem aos professores e nutricionistas que olhem para os refeitórios e refeições escolares considerando outros aspectos além dos nutricionais também são sensacionais”, acrescenta. “Embora importante, a nutrição é, para nós, humanos, uma pequena parcela do que significa se alimentar, comer todos os dias, comer isso ou aquilo. E essa diversidade e riqueza não devem estar excluídas do que se ensina na escola”, conclui.