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Ensino Fundamental 6, 7 e 8 anos Histórias saborosas

Sobre Nós

Trabalho com uma turma de 2º ano do 1º ciclo. Estamos envolvidos com o Projeto Nutrir e o segundo desafio foi abraçado por todos com interesse pois temos um trabalho de literatura que engloba cantinho de leitura na própria sala, empréstimo semanal de livros na biblioteca, além de leitura de histórias para a turma feita pelos alunos ou por mim. Especialmente quando notei que os outros segmentos da escola estavam envolvidos com o Projeto Nutrir pensei que poderíamos fazer algo mais dentro do desafio. 

Passo a Passo

É rotina da turma começar a semana com leitura ou contação de história. Toda segunda-feira ou os alunos leem para a turma ou a própria professora. Dessa vez, como o desafio era contar histórias nas quais os alimentos tivessem um papel de destaque, eu mesma preparei duas histórias: "Joãozinho e Maria" e "Cachinhos Dourados e os três ursos". A primeira  história ouvimos de um CD. A segunda, foi copiada do Youtube e projetada com o data-show, a partir de uma contação da história com bonecos. Alguns alunos não conheciam as histórias. Eles fizeram desenhos sobre elas para colocar no mural da sala. E a partir delas, conversamos sobre cardápios. Mas, como normalmente usamos em sala vários portadores de texto, entreguei para cada aluno o panfleto de propaganda de um restaurante, no qual identificamos os elementos próprios de um panfleto, tais como, nome do estabelecimento comercial, produtos que oferece, promoção, endereço e telefone. De acordo com o panfleto que tínhamos em mãos não era possível saber se a comida do restaurante era cara ou barata, ou quais pratos oferecia. Daí falamos sobre cardápios. A partir dessas análises, desafiei-os a montar um panfleto ou um cardápio de um restaurante que fosse frequentado por bruxas. Essa atividade foi concluída em casa e no dia seguinte socializamos a produção de cada aluno para toda a turma. 

A seguir, trouxe para os alunos três lendas indígenas: a Lenda da Mandioca, a Lenda do Guaraná e a Lenda do Milho. Cada grupo de alunos recebeu uma lenda diferente, sendo que a Lenda do Milho tinha duas versões. Na verdade, essa discussão sobre uma versão diferente de uma mesma história havia surgido no dia anterior pois alguns deles conhecia outro final para as histórias trabalhadas. Portanto foi intencional levar duas versões diferentes de uma mesma lenda. Após lerem em voz alta para que os outros grupos conhecessem a lenda que eles haviam recebido cada grupo ajudou a descrever as semelhanças e diferenças entre as lendas, e quão importante era o alimento para os índios que o consideravam um presente do deus Tupã. Ao final desse trabalho, pedi como atividade de Para Casa que copiassem uma receita de uma comida que todos da família gostassem muito.

Por isso, começamos a atividade do dia seguinte conhecendo as receitas que eles haviam copiado,identificando as mais conhecidas e reconhecendo quais estavam completas e quais estavam incompletas. Também era meu interesse saber quem participava da preparação da comida em casa, ajudando a colocar algum ingrediente, ou mexendo uma massa. A maioria relatou que ajudava a misturar o suco. A seguir, li para eles o livro "Óculos de biscoito" de Jonas Ribeiro. Nele há uma cumplicidade entre os familiares apresentada de forma bem poética, durante o café da manhã,  ao brincarem com os óculos de biscoito. Além de que a ilustração do livro é de fotos de cenários montados com biscoitos e massinha de biscuit. Muito sugestiva. Por isso, nesse mesmo dia entreguei para eles a receita de sequilhos. Como havia combinado que haveria uma surpresa nessa semana, anunciei que no dia seguinte iríamos até a cantina para fazer a receita. Cada um deveria trazer avental para essa atividade, caso tivesse, e lembrando de cortar as unhas e cuidar muito bem da higiene.

O dia mais esperado por eles chegou. Lemos e relemos a receita para saber o que fazer, observando as partes de uma receita. Além de nos prepararmos com relação à higiene: todos deveriam usar touca dentro da cantina, além de lavar bem as mãos antes de manusear os alimentos. Para essa atividade, contamos com a ajuda das cantineiras da escola e do monitor do PSE. Na cantina, apresentei para eles os ingredientes usados no preparo da receita de sequilhos. Eles puderam quebrar os ovos para colocar no liquidificador e ajudaram a mexer a massa. Alguns passos foram realizados pelas cantineiras devido à grande quantidade de massa. Mas eles puderam misturar alguns ingredientes, como o coco ralado, pois dividimos a massa em porções e organizamos os alunos em pequenos grupos cada um com um recipiente. Em seguida, passaram para a etapa de enrolar os biscoitos. Fizeram de tudo: de bolinhas a rosquinhas, ou óculos e bonequinhos. O envolvimento de todos foi muito grande. Aprenderam que os biscoitos deveriam ser postos para assar em uma forma untada. E quando sentiram o cheirinho do sequilho assando, os olhinhos brilharam. Deu tempo de verem a primeira fornada saindo e de comer o fruto da dedicação de cada um.

Na sexta-feira, todos chegaram na escola querendo saber do resto dos biscoitos. Foi dia de embalar para cada um levar mais um pouco para casa, além de entregar para várias pessoas da escola: da coordenação ao pessoal da cantina. Além disso, fizeram cartinhas de agradecimento às cantineiras que ajudaram tanto no preparo quanto na parte de levar ao forno para assar. Também analisamos que na receita estava faltando um ingrediente e uma dica importante. Cada pessoa que recebia um pacotinho de sequilhos recebia também uma receita com as devidas correções.

Objetivos

Meus objetivos com este trabalho foram:

  • Que meus alunos percebessem a importância dos alimentos;
  • Que identificassem alguns gêneros textuais: panfletos, cardápios, receitas e lendas;
  • Que produzissem pequenos textos de acordo com os objetivos propostos (cardápio e carta de agradecimento);
  • Que vivenciassem na prática a preparação de um alimento a partir de uma receita;
  • Que despertassem o interesse em participar da preparação dos alimentos em sua própria casa.

Avaliação

Ao longo do trabalho foi possível perceber que eles aprenderam sobre cardápio e panfleto de propaganda, pois ao analisarmos coletivamente os dos colegas eram capazes de identificar o que faltava para se encaixar nesse ou naquele tipo de texto. Também perceberam a organização e a finalidade de uma receita.

Mas, pude perceber que consegui sensibilizá-los no tocante à preparação dos alimentos. Ouvi deles "professora, acho que quero ser cozinheira quando crescer",  "vou pedir minha mãe pra gente fazer lá em casa" e "que cheirinho bom!".  Sei que jamais esquecerão essa experiência. 

Quem Participou

Neste desafio conseguimos envolver algumas cantineiras desde a sugestão da receita a ser preparada junto com os alunos até a preparação da receita de fato. Claro que a coordenação e a direção da escola deram suporte comprando os ingredientes necessários, além de organizar o dia mais adequado para usarmos a cantina de maneira a não interferir na merenda de cada turno. O monitor do PSE deu-nos suporte desde a montagem do data-show em sala de aula, até o dia de pegar na massa literalmente, fotografando, estimulando os alunos e ajudando a falar sobre cada ingrediente da receita. 

Conexões

Este desafio teve tudo a ver com o trabalho de Língua Portuguesa sobre gêneros textuais e portadores de texto. Foi possível associar também ao que vínhamos estudando sobre folclore, com as lendas indígenas. As atividades de escrita foram bastante significativas, tanto as de produção de panfletos ou cardápios, como as cartinhas de agradecimento às cantineiras. 

Com relação aos alimentos presentes nas histórias e lendas, a diferenciação entre produto industrializado e artesanal ou natural. 

Desdobramentos

Considero que o desdobramento foi justamente a ida na cantina para fazer os sequilhos com os alunos. 

Alegrias

Fiquei satisfeita com tudo:

  • O trabalho com literatura é prazeroso e envolveu os alunos naturalmente.
  • O foco na alimentação deu o que falar.
  • A expectativa de ir até a cantina para fazer o biscoito manteve o interesse de todos.
  • O envolvimento , o carinho e a atenção das cantineiras com os alunos durante todo o processo foi maravilhoso.
  • O prazer de preparar a massa e enrolar o biscoito foi indescritível.
  • E a alegria de todos em ver e comer o fruto do trabalho, não dá para mensurar.

Nem Tudo São Flores

Nesse desafio não consigo pensar no que poderia ter sido melhor. 

Expectativas

Espero que meus alunos envolvam-se nos momentos de preparação dos alimentos em sua própria casa, além de perceberem e valorizarem as pessoas responsáveis pela preparação dos alimentos em nossa escola. Espero que associem os pratos prontos a produtos utilizados em seu preparo. 

Revisão

Não consigo pensar em nada que pudesse fazer diferente com relação a esse desafio. Desse vez consegui planejar as atividades de acordo com o tempo, focando em poucos objetivos.