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Ensino Fundamental 6, 7 e 8 anos Descrevendo alimentos

Sobre Nós

Meu nome é Kamilla Veronezi Martins, sou pedagoga, especialista em Educação à Distância e em Alfabetização e Letramento. Atuo como professora de 1º ciclo na Prefeitura Municipal de Belo Horizonte desde 2010, sendo que na Escola Municipal Américo Renê Giannetti (EMARG) há quase três anos. Ensinar no ciclo da alfabetização é minha paixão. Considero que neste ciclo é que o aluno tem seu primeiro contato sistematizado com o mundo letrado. É o momento de grandes descobertas... encantador!

Nessa Escola (localizada no bairro Concórdia - regional Nordeste) sou professora referência de uma turminha de 1º ano. No total, são 17 crianças matriculadas e as idades variam de 6 a 7 anos.  Por ser uma turma pequena, com poucos alunos, é possível desenvolver atividades de maneira mais individualizada, ouvi-los com mais atenção e construir uma relação prazerosa de respeito, comprometimento e afinidade.

O projeto Nestlé Nutrir: crianças saudáveis foi aceito por mim, pelo segundo ano consecutivo, por acreditar que é um facilitador na promoção de atividades sobre alimentação saudável e práticas de atividades físicas diversificadas. É extremamente importante falar sobre esse tema, especialmente nas escolas de crianças pequenas, onde os hábitos alimentares, cuidados com a saúde e tantos outros valores estão sendo diariamente desenvolvidos.

Passo a Passo

Nosso desafio era o de ensinar aos alunos um repertório de palavras capazes de ampliar seu vocabulário para falar sobre as características dos alimentos através da realização de sessões gustativas com as crianças da escola.

Para iniciar os trabalhos, fizemos em parceria com a Juliana do PSE, o experimento da água saborizada. Ela levou os alunos para a cantina e ali, em uma grande mesa, com limões sicilianos, funcho, hortelã, morangos e água, ensinamos a importância de se manter hidratado de uma maneira diferente e nutritiva.

Consumir água com gosto e cheiros diferentes despertou o interesse das crianças. Em duas grandes jarras transparentes havia água filtrada geladinha. Ao lado ervas e frutas.

Duas alunas se prontificaram a ajudar e, com o auxílio da Juliana, picaram os morangos, amassaram um pouco as ervas, torceram o limão siciliano antes de coloca-los na água. Explicamos que tudo isso faz liberar os ácidos e óleos essenciais para perfumar e dar sabor à água.

Convidamos os alunos a experimentar as águas saborizadas em tacinhas de acrílico enfeitadas com canudinho e um pedaço da fruta na lateral da taça. No início eles estranharam a ausência de açúcar no preparo, mas o visual ganhou do sabor nesse primeiro momento. Não foi tão difícil convencê-los a deixar o doce de lado. Eles brindaram e tiveram um dia muito refrescante.

Em sala, distribuímos o “Livro de Receitas de águas aromatizadas” elaborado pela Juliana do PSE. Conversamos sobre as possibilidades de  aumentar o número dessas receitas com outros ingredientes. Eles sugeriram: abacaxi com hortelã, jabuticaba com morango e laranja com canela.

Em seguida, levaram o livrinho para casa e se prontificaram a ensinar aos pais essa delícia. Alguns alunos, na semana seguinte, relataram que os pais experimentaram o preparo da água com sabor. Com isso, novas palavras apareceram no vocabulário dos pequenos: refrescante, perfumada, aromatizada, saborizada, azedo, ácido, suculento, suave.

 

Continuando no ritmo do frescor sem adição de açúcar, na semana seguinte foi a vez do Sorvete de Banana. Pedimos às cantineiras que congelassem as bananas que estivessem bem maduras, a ponto de perder, para reaproveitarmos em nosso desafio.

Em sala, exploramos com os alunos a textura da banana in natura e da congelada. Picamos com auxílio de uma faça as bananas congeladas em pedaços menores. Surgiu a palavra dura. Aproveitamos para diferenciar os termos duro e firme.

Em seguida, batemos as bananas no mixer. Elas estavam muito congeladas, muito duras e o mixer não deu conta de amassá-las. O equipamento queimou. Percebemos que teríamos que ter deixado as bananas fora do congelador por um tempo antes de prepara-las.

O plano B foi pegar na cantina um liquidificador e bem devagar, pingando um pouco de água, fomos batendo e formando um maravilhoso creme. A palavra cremosa apareceu na boca de uma das nossas crianças. Oba! Mais uma palavrinha para nosso vocabulário!

Colocamos o creme gelado nos potinhos e apresentamos mais um elemento: a canela! A professora Adriana mostrou primeiramente a canela em pau. Eu fui passando a especiaria de um em um, para que os alunos pudessem manipular e sentir o cheiro, textura. Depois, mostramos a canela industrializada em pó, que seria parte da finalização da sobremesa. E eles perceberam que a canela é um alimento seco que tem o formato de pau, mas que na culinária é mais vista e usada em pó.

O sorvete de banana foi um sucesso! Nessa experiência eles não sentiram falta do açúcar, pois a banana já é um alimento doce. Foi tão bom que eles pediram bis!

Oportunizando o surgimento de outras palavras, num outro momento, fizemos sessões gustativas de alimentos agridoces, insosso, salgados, fortes, amargos...

Para os termos insosso, salgado e agridoce levamos o peito de frango com molho barbecue de goiabada cascão.

Mostramos o peito de frango cru sem tempero e com ele a novidade da palavra insosso. As crianças acharam engraçadíssima essa palavra e tiveram dificuldade para pronunciá-la. Com o frango temperado (salgado) grelhamos a carne sem adição de óleo. Exploramos a importância de alimentar-se de maneira mais saudável e que é possível preparar alimentos com pouca ou nenhuma adição de óleo vegetal.

Com os filezinhos prontos, colocamos o molho agridoce de goiabada e eles experimentaram. Descobriram que podemos misturar sabores. E nesse caso, foi sucesso total! Eles amaram conhecer as palavras insosso e agridoce, mas preferiram o agridoce no paladar.

Depois, foi a vez do gengibre. Apresentamos o caule em sua forma natural. Enquanto uma parte do gengibre era ralada para que eles pudessem provar o sabor, a outra parte era passada de mão em mão. A maioria achou o cheiro era forte, e que lembrava um pouco o cheiro do limão. Ao experimentá-lo... muitas caretas! O sabor forte e picante não agradou o paladar dos pequenos. Um deles lembrou que a mãe coloca um pouco no chá e relatou que dessa maneira fica muito mais agradável de ingerir.

Outra sessão gustativa apresentada à criançada foi feita com as folhas rúcula e agrião. Inicialmente iríamos apresentar somente o agrião, mas a verdura ao ser comprada foi confundida com a rúcula. E na hora de apresentar aos alunos a confusão foi armada! Rúcula virou agrião... e para desvendar o mistério precisou do olhar de uma pessoa mais experiente no assunto: minha mãe. As professoras desavisadas tiveram que reparar o erro no dia seguinte. E os alunos que também não sabiam a diferença entre uma folha e outra aprenderam com a gente. Alguns alunos gostaram das folhas, outros não. Propusemos temperá-las com azeite, limão e sal. E ganhamos mais alguns adeptos do verde e de mais algumas palavrinhas no vocabulário: picante, levemente azedo e amargo!

No último dia foi apresentamos alimentos doces e viscosos. Viscoso era um termo que definitivamente eles não conheciam. No lugar de viscoso, eles definiram como pegajoso. Discutimos um pouco sobre os atributos desses alimentos, sobre a importância do mel no fortalecimento do sistema imune e sobre a base do doce de leite que é feita de leite e açúcar. Também lembramos que o doce de leite pode ser preparado na forma de barra, servida em pedaços, ou na forma pastosa, cremosa. O mel e o doce de leite foram a estrela do dia!

Como forma de organizar tudo o que foi experenciado, elaboramos cartazes com imagens dos alimentos e etiquetas com os atributos que apareceram ao logo das semanas. Ajudamos na explicação de cada um dos termos, oferecendo analogias e comparações. Os próprios alunos colaram os atributos de cada alimento nos cartas e, em seguida, o que foi construído nos cartazes em grupo foi transposto, individualmente na forma de um livrinho intitulado “Descrevendo alimentos”.

Como os nossos alunos ainda estão no processo inicial de alfabetização, levamos impresso a parte dos verbetes e eles escreveram somente as palavras dos alimentos, colocando-as em ordem alfabética, com os seus atributos. As crianças finalizaram o minidicionário com ilustrações das comidinhas apresentadas neste desafio.

Com o minidicionário pronto os alunos foram convocados a ensinar tudo que foi aprendido aos seus familiares, buscando novos experimentos com os alimentos do dia a dia.

Objetivos

Os objetivos desse segundo desafio, com os meus alunos e alunas, foram:

  • Ampliar o vocabulário, oferecendo um conjunto de palavras para descrever alimentos.
  • Organizar pequenas sessões gustativas de alimentos in natura ou minimamente processados.
  • Confeccionar um minidicionário de sabores, texturas, cheiros, aparências e percepções auditivas a partir das palavras aprendidas.
  • Proporcionar momentos de interação dos alunos com suas famílias, colocando-os no papel de reproduzir o que aprenderam.

Avaliação

Foi possível, neste segundo desafio perceber o envolvimento das crianças com as sessões gustativas propostas e com a capacidade de ampliarem o vocabulário para descrever os alimentos. Elas ficavam muito curiosas para saber qual alimento estaria presente na próxima sessão.

Observei que os alunos aprenderam aquilo que eu me propus ensinar na medida em que eles se expressavam com relação as sensações dos experimentos. Eles não diziam somente que era gostoso ou não, mas descreviam os motivos de acharem bom ou ruim.

Foi prazeroso desenvolver esse desafio e perceber a evolução das crianças no enriquecimento do repertório de palavras trabalhadas ao longo do processo.

Quem Participou

Além dos meus alunos e eu, participaram do segundo desafio:

  • Adriana Lemos - Professora da outra turma de 1º ano, do turno da manhã da EMARG. Planejamos e executamos cada etapa deste projeto juntas. Em alguns momentos cada professora individualmente com sua turma e em outros momentos todos juntos.
  • Marcele – Professora responsável pelo xerox.
  • Família – através da receptividade em ouvir o que as crianças aprenderam.
  • Direção e coordenação da EMARG – Organizaram os espaços e parte da materialidade para o desenvolvimento do primeiro desafio.
  • Juliana – PSE – com o desenvolvimento da sessão gustativa da água aromatizada.

Conexões

As conexões curriculares estabelecidas concentraram-se nas áreas da Arte e Língua Portuguesa. No entanto, a interdisciplinaridade com as demais disciplinas também aconteceu:

  • Língua Portuguesa:A criação de minidicionário com palavras em ordem alfabética. Ampliação de vocabulário.
  • Arte:Desenhos dos alimentos experimentados.
  • Ciências:Alimentação saudável. Importância da água (hidratação)

Desdobramentos

Esse desafio nos apontou a necessidade de apresentarmos um repertório de alimentos maior do que as crianças utilizam no seu dia a dia. Como desdobramento, enviamos para a direção da escola um projeto a ser desenvolvido no Mercado Central de Belo Horizonte.

O Mercado Central é conhecido por sua diversidade. É um lugar que apresenta atrações para todas as idades, uma verdadeira caixinha de surpresas. Lá poderemos extrapolar o que foi trabalhado até agora, ampliando as possibilidades de sensações, aromas, texturas.

Falar de alimentação saudável nos dias de hoje é um grande desafio. É importante explorar com as crianças o universo de possibilidades e sabores que a culinária mineira oferece. E o Mercado Central pode ser o ponto de acesso para despertar o interesse pelo desconhecido.

Nesse sentido, explorar as bancas de alimentos que não são muito conhecidos será uma experiência valorosa. Além disso, reforçar a importância de alimentos usuais pela maioria das famílias, destacando o valor nutricional de cada um, poderá formar consumidores de um futuro mais saudável.

Alegrias

Alegrias... são sempre tantas! Neste desafio, em especial, o que me deixou muito satisfeita foi perceber que as novas palavras oferecidas aos alunos, com a degustação de alimentos, foram significativas para eles. As crianças realmente incorporaram ao vocabulário os atributos do que foi ofertado a eles. Além disso, o fato de todos, sem exceção, terem experimentado tudo! Nenhum aluno recusou provar algum alimento. Mesmo com cara feia, achando meio estranho... E o melhor, a maioria gostou do que ingeriu. Foi muito impressionante o envolvimento da turminha.

Nem Tudo São Flores

Como nem tudo são flores... deveríamos ter testado a receita do sorvete de banana antes, assim não teríamos queimado um equipamento.

A confusão com a rúcula e o agrião também nos causou um pouco mais trabalho em ter que correr para consertar o equívoco. Além de mostrar que nós, professoras, também necessitamos ampliar nosso acervo de conhecimento sobre alimentos.

Além disso, tivemos que comprar quase tudo sozinhas, já que a direção não disponibilizou verba para alimentos que não estavam no cardápio da escola.

Expectativas

Espero que os conhecimentos aprendidos sejam aplicados no dia a dia das crianças. Que elas saibam se expressar com facilidade ao descrever um alimento.

Gostaria, também, que as crianças fossem incentivadoras de novas práticas em seus lares. Que elas aumentem o consumo de frutas, verduras e legumes, diminuam o consumo de industrializados, pratiquem atividade física e bebam bastante água.

Revisão

Se eu tivesse que fazer este desafio novamente, teria repensado as sessões gustativas com os alimentos do cardápio da escola. Sabemos da importância da merenda escolar e de alimentos que ainda são rejeitados pelas crianças. Seria interessante fazer esse trabalho e propor melhorias, principalmente no turno em que trabalho (manhã) que apresenta baixíssima inserção de frutas e vegetais no cardápio.