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Gestores Olhando melhor!

Sobre Mim

Meu nome é Terezinha de Fátima Quadros Miranda. Tenho 50 anos. Trabalho como coordenadora pedagógica na EMEF Profa. Joaninha Grassi Fagundes, há cinco anos. Há três anos, coordeno o Ensino Fundamental I (do 1º ao 5º ano), no período da tarde, das 13h30min às 18h30min. Sendo 13 classes, 340 alunos e 25 professores.

A principal atribuição do coordenador pedagógico da SME/SP é a viabilização da formação continuada junto aos educadores e, consequentemente, o acompanhamento das aprendizagens dos alunos e o atendimento às suas famílias.

A nossa escola está localizada na zona Norte de São Paulo, tendo um espaço privilegiado com árvores, quadras grandes, espaços externos, parque etc., porém, devido ao prédio ser muito antigo e está há muitos anos sem pinturam existe urgência em melhorar a qualidade dos espaços.

Passo a Passo

O primeiro passo desse desafio foi a apresentação do Projeto Nutrir nas Escolas, 2016, à equipe de professores e funcionários.

O segundo passo foi a realização de um diagnóstico dos  aspectos relacionados à estrutura física, ambiente, informação, adultos presentes, horários, resíduos etc., visando nomear os problemas e pensar coletivamente em possíveis soluções. Assim,  pensei na possibilidade de sensibilizar o meu olhar e enxergar através de fotografias e vídeos os principais pontos do refeitório que necessitam de melhorias.

Com o celular na mão e um olhar atento, visitei por inúmeras vezes os momentos das refeições. Foram centenas de fotografias, vídeos e conversas com os alunos e funcionários. 

Ao mesmo tempo, fui pedimdo a ajuda de alguns professores com a produção de entrevistas e trabalhos relacionados à alimentação escolar. A contribuição foi muito grande e o resultado pode ser visto no link com a apresentação.

Conforme eu desenvolvia o diagnóstico, fui conversando com vários funcionários. Todos eles trouxeram boas ideias e colaboram para que pequenas mudanças acontecessem imediatamente.

Diagnóstico:

Logo no início, pude perceber a movimentação dos estudantes quando chegam à escola. Constatei que a maior parte deles, não entra para o refeitório, preferindo ficar no espaço externo para brincar. Ou seja, existe a hipótese de que muitos alunos almoçam em casa antes de vir para a escola ou utilizam o tempo do almoço para brincadeiras. Isso só não aconteceu quando eram servidos alimentos como “falsa feijoada” ou macarrão com salsicha. Nesses dias, houve até  fila para o almoço.

Quanto à estrutura física pude notar a falta de mesas e cadeiras para todos os alunos. Só não trazendo maiores problemas por que muitos deles não almoçam na escola. Não há toalhas nas mesas e nem guardanapos. Apesar dos pratos serem de vidro, todos comem com colher e não faz uso de talhares. As paredes do ambiente estão precisando de pintura e não é um espaço agradável.

O refeitório é um espaço usado somente para as refeições, com pouquíssimas exceções fora desses horário.

A disposição das mesas e cadeiras é bastante desorganizada, permitindo que os alunos que não estão almoçando transitem sem nenhuma ordem pelo espaço.

Observei também  que muitos alunos, chegam comendo salgadinhos de pacotes, coxinhas, risoles;  além de doces diversos como balas e chicletes.

Outro ponto bastante crítico pôde ser visto durante o almoço dos 1ºs anos. Mesmo tendo um horário exclusivo para fazerem as suas refeições, preferem almoçar em casa antes de vir para a escola. Muitos deles nem sentam à mesa com as professoras, preferindo brincar pelo pátio. Mesmo aqueles que permanecem à mesa, não almoçam.

Durante o almoço acontecem vários conflitos entre os alunos. Muitos deles, vêm pedir ajuda para resolvê-los.

As cozinheiras mostram-se bastante alegres e animadas com o trabalho. Demonstram conhecer todos os alunos e mostram-se zelosas e cuidadosas com os alimentos servidos. A cozinheira encarregada de supervisionar e servir os alimentos, exige dos alunos uma postura de respeito enquanto são servidos os alimentos.

Faltam informações sobre o cardápio do dia e sobre os alimentos servidos.

Os alimentos são pré-servidos nos pratos que ficam dispostos na bancada do guichê da cozinha. Cada aluno pega o seu prato,  enquanto isso uma funcionária entrega a sobremesa, e vai contando as refeições com fichas, que estão dispostas em uma pequena caixa sobre o balcão. Não havendo, portanto, autoserviço.

Com exceção das professoras dos 1ºs anos, apenas um adulto ajuda durante as refeições, sendo a mesma pessoa que entrega a sobremesa e conta as fichas.

A quantidade servida é a mesma, independente da idade dos alunos, porém, as verduras e legumes só são servidos se aceitos pelos alunos.

Muitas crianças deixam alimentos no prato, principalmente beterraba, ovo e peixe. Havendo, portanto, bastante desperdício de comida e produção de lixo.

Como a escola não possui coleta seletiva, todos os lixos são jogados no mesmo cesto. A quantidade de lixo produzida num dia de maior desperdício chegou a 19 (dezenove) quilos - conforme pesagem nossa - somente no período da tarde.

É possível observar também que no início das refeições o ambiente está limpo e sem lixo no chão. Após as refeições, podemos ver restos de alimentos no chão, inclusive cascas de frutas, sacos de salgadinhos vazios etc.

Os pratos e copos usados durante as refeições são deixados sobre um balcão próximo ao cesto de lixo; outros são deixados sobre as mesas (vazios ou com restos de comida). Após o lanche, muitos alunos deixam copos com restos de leite ou suco. Algumas crianças gostam de ajudar recolhendo copos e pratos que ficam espalhados pelas mesas.

Por diversos momentos esses aspectos foram observados, o que indica a necessidade de investimento na melhoria de todos os aspectos da alimentação escolar da nossa escola. Nesse sentido, torna-se imprescindível pensarmos em projetos de conscientização dos estudantes, professores, funcionários, família e toda comunidade escolar. Abaixo segue plano de ação com ideias e propostas de trabalho coletivo:

Estrutura física:

Dividir o refeitório em dois espaços (alunos sentados à mesa almoçando e alunos que só estão comendo sobremesa ou transitando).

Forrar as mesas com toalha de plástico (material já adquirido pela escola).

Ambiente:

Solicitar aos profissionais da limpeza a lavagem das paredes com máquina Wap.

Decorar as paredes com quadros de natureza morta (trabalho a ser desenvolvido pela profa. de artes, juntamente com professora e alunos do 3ºA).

Colocar dois vasos de plantas (grandes) no fundo do refeitório.

Montar banner com desenhos de alimentos feitos pelos alunos, com revezamento das turmas/classe.

Decorar a parede do fundo do refeitório.

Executar músicas-ambiente nos horários das refeições.

Informação:

Colocar o cardápio da semana afixado no guichê da cozinha.

Deixar sob o balcão da cozinha um prato servido com o cardápio do dia.

Desenvolver projetos sobre os nutrientes dos principais grupos alimentos servidos na escola.

Convidar alguns pais para almoçarem com os alunos que não costumam almoçar na escola (em horário anterior ao almoço dos outros alunos).

Entregar  às famílias/alunos, antecipadamente, “folder” com cardápio da semana.

Envolver professores e alunos em projetos sobre alimentação saudável; alimentos industrializados; corantes etc.

Apresentação do projeto junto às famílias dos alunos em reunião de pais.

Apresentação do diagnóstico sobre o ambiente alimentar para alunos e professores, visando problematizar e buscar caminhos para melhorias.

Desenvolver, juntamente com os professores, projeto de horta escolar e jardinagem.

Adultos presentes:

Discutir com a equipe  gestora a possibilidade de remanejamento de um funcionário para colaborar no horário das refeições.

Implementar o auto-serviço, inicialmente para os 1ºs anos e posteriormente para os 2ºs, 3ºs, 4ºs e 5ºs anos.

Horários:

Repensar juntamente com a equipe gestora e professores outras estratégias de organização dos horários das refeições dos alunos.

Resíduos:

Colocar cestos para separação seletiva dos resíduos produzidos no refeitório.

Incluir a temática “separação seletiva do lixo” nas reflexões dos horários de estudo coletivos com os educadores.

Envolver professores e alunos em projetos sobre desperdício e separação seletiva de resíduos.

 

 

 

Quem Participou

Coordenador pedagógico: Terezinha de Fátima Quadros Miranda

ATES: Uelinton Marques de Santana

           Izabel Conceição Veloso

          Rosa Carolina Pereira da Cunha

Professores: Artes (Marcia Ferreira)/3ºB (Ana Luiza da Silva Lagonegro)/ 5ºB (Maltides Marques de Oliveira)

Cozinheira: Monique

Faxineira: Rose

Nutricionista da PMSP: Ruth

Desdobramentos

O desafio de olhar para o ambiente do refeitório da escola sensibilizou o nosso olhar para outras formas de conhecer e repensar a alimentação escolar. Nesse sentido, tivemos como colaboradores alguns professores, funcionários e alunos.

Realizamos também entrevistas com a  nutricionista da PMSP  e também com a nossa cozinheira. Realizaremos também com a faxineira mais antiga da escola.

As respostas dadas por essas pessoas, trouxeram contribuições e ideias para darmos continuidade ao trabalho em sala de aula, além de possibilitar o desenvolvimento de documentário com todo esse percurso.

O vídeo produzido durante o processo será exibido para professores e alunos. O principal objetivo é discutir e refletir sobre as necessidades identificadas e partir disso, desenvolver projetos pertinentes ao tema; como por exemplo: consumo de alimentos essenciais à nossa saúde,  saúde e bem-estar; alimentação saudável; coleta seletiva do lixo; cuidados com espaço e ambiente e outros.

Quanto aos alunos, queríamos ouvi-los sobre o que pensam do nosso espaço/ambiente, suas sugestões para melhorá-lo e identificar os alimentos que mais gostam e que não gostam da merenda escolar, visando repensar formas de preparo e de servi-los.

Com relação às famílias, realizamos reunião para apresentação dos resultados da nossa enquete e sobre hábitos alimentares observados durante o processo, pois muitas crianças estavam trazendo biscoitos recheados, refrigerantes e balas e chicletes todos os dias. O objetivo principal foi informar às famílias sobre o processo de elaboração do cardápio escolar e preparação dos alimentos pela cozinheira, visando tranquilizá-los sobre a procedência dos alimentos consumidos na escola, assim como, seu preparo.

O trabalho com projetos sobre alimentação saudável foi iniciado por vários professores da escola, que elaboraram e compartilharam materiais sobre hábitos alimentares; grupos de alimentos, além de promover discussões sobre conservantes, corantes e decomposição dos alimentos industrializados.

Os nossos ATEs realizaram com muito carinho o desafio da água com um grupo muita água; elaboram livro de receitas de águas aromatizadas; além de tudo isso, serviram degustação de suas receitas às famílias na nossa reunião de pais.

A nossa professora de artes, em parceria com alguns professores, estão desenvolvendo um projeto de horta escolar. Os nossos alunos puderam participar desde o preparo da terra até o plantio e acompanhamento do crescimento das nossas verduras e temperos. O processo possibilitou o trabalho manual com a terra, assim como, o desenvolvimento de atividades relacionadas à área de Ciências em sala de aula; o que de acordo com a professora responsável, trouxe muitos benefícios e bem-estar, tanto para os alunos quanto para ela, dizendo estar mais centrada e motivada com seu próprio trabalho.

Olhando para o nosso refeitório, conseguimos realizar pequenas mudanças como: lavagem das paredes; aumento no número de mesas e cadeiras; mudança na disposição das mesas e cadeiras; decoração com tema Natalino na parede dos fundos e colocação de planta natural. Foram pequenos detalhes que trouxeram esperança e despertaram a atenção de todos para a necessidade de maior zelo e cuidado pelo ambiente alimentar.

Produção de material para problematização junto à comunidade escolar:

Vídeos do horário do lanche dos alunos Link youtube: https://www.youtube.com/watch?v=VwCyWuhTYNA&feature=youtu.be

Entrevista com nossa nutricionista (Ruth) Link youtube: https://www.youtube.com/watch?v=MTKeWM7KjsI&feature=youtu.be

Entrevista com nossa cozinheira (Monique) Link youtube https://www.youtube.com/watch?v=Gp4CUSUniF4&feature=youtu.be

 

 

Alegrias

Foi muito emocionante perceber o envolvimento dos alunos e dos professores que desenvolveram o projeto da horta escolar. Um depoimento da professora de artes, responsável pela elaboração, revelou o quanto podemos nos surpreender com a participação e mudança de postura de nossos alunos. Ela relata que está muito feliz em perceber que alunos que apresentavam dificuldade de relacionamento com colegas estão se transformando: colaboram muito e até se responsabilizam por pequenos cuidados com liderar grupos de trabalho; aguar a horta etc. Estão, inclusive mais calmos e melhorarm a postura em sala de aula. Quanto à professora, percebeu que é possível desenvolver projetos de artes em parceria com colegas e que está muito feliz pela oportunidade de ter um espaço para plantar e colher alimentos, considerando que é bastante terapêutico e motivador. Assim, quis compartilhar com donas de casa essa oportunidade, criando um canal no Youtubbe em que ensina passo a passo como plantar sementes em jardineiras. Outra professora que participou do projeto, falou da experiência com entusiasmo, relatando estar sendo maravilho trabalhar em parceria com suas colegas e que o trabalho fluiu de forma enriquecedora e que pôde sair da sala de aula para o espaço externo realizando um trabalho multidisciplinar.

Outra alegria foi perceber o envolvimento dos nossos ATEs no desafio da água, pois realizaram várias atividades e envolveram os alunos e famílias. Até usamos as receitas no preparo de águas aromatizadas para tomarmos durante o dia na escola.

O Projeto "Nutrir nas Escolas", trouxe mudanças para minha própria vida. Eu estava bastante descuidada com a minha alimentação e ganhando muito peso. Retomei hábitos alimentares aprendidos em outros grupos de acompanhamento do peso e voltei a fazer atividades físicas. Já consegui eliminar quatro quilos e meu objetivo e cuidar para sempre de minha alimentação visando à melhoria da saúde e bem-estar.

 

 

Nem Tudo São Flores

Quando houve a apresentação da proposta pela equipe que realizou o curso "Nutrir nas Escolas", muitos professores ficaram motivados e pensaram em vários projetos e possibilidades de trabalho, inclusive a direção. Mas devido à falta de recursos materiais, muitos deles desistiram e preferiram não fazer.

Havia um projeto de pintura do refeitório, mas uma mudança na presidência da APM impossibilitou a realização em tempo hábil.

Houve um momento em que pensei em desistir por falta de apoio da equipe e por falta de recursos.

 

 

Revisão

Se eu tivesse que fazerr de novo, teria envolvido ainda mais alunos e famílias nos desafios.